"Uma vida que não é examinada não merece ser vivida!"
Sócrates

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Por que CERTOS AMORES prendem em vez de libertar? Serão AMORES CERTOS?

Há muitos que dizem amar...
E até dizem muitas vezes. Dizem tanto que a gente nem consegue acreditar mais. É como se a pessoa estivesse tentando se convencer de que ama mesmo...!
O fato é que nós, não raro, não amamos o outro, mas a imagem que dele fazemos. Amamos um ‘outro ideal’ que está longe do ‘outro real’, que deveria ser, este sim, objeto do nosso amor. Daí surgem as dificuldades e os conflitos: acontece que o ‘outro real’ não consegue desempenhar o papel do ‘outro ideal’, que como a palavra mesma diz, é idealizado por nós. Acabamos por amar no outro, não mais do que a nós mesmos. Buscamos no outro a satisfação de carências e caprichos vários, que o outro, simplesmente não tem obrigação de satisfazer, e, nem mesmo capacidade para tanto, por que nesse caso, estamos carentes de nós mesmos...
O mandamento diz: “...como a ti mesmo.” (cf.: Mc 12, 31) Então somos o modelo e a medida do amor dado aos outros, ao menos pra início de conversa. Mas passemos a considerar o que seja o amor para que não nos falte um conceito, ou uma imagem.
Amor é dom! É dádiva! É doação de si ao outro. Oferta do que se é! Perguntamo-nos: Como podemos doar-nos se não nos possuímos? Se somos carentes de nós mesmos? Precisamos primeiro nos reaver, ou nunca seremos capazes de amar!
Você já disse que ama alguém? Antes ou depois de dizê-lo, já se perguntou se isso era verdade?
Já se indagou o porquê de estar dirigindo ao outro essas palavras? Já se perguntou se o conhece o suficiente? E se se conhece o suficiente?
Sim, por que precisamos nos analisar do ponto de vista do amor. Perguntar-nos se conhecemos o outro, o objeto do nosso amor, é necessário por que não se ama o que não se conhece; perguntar-nos se nos conhecemos o suficiente é necessário também por esta razão, pois se não se ama o que não se conhece, logo, se não nos conhecemos, vamos amar outra coisa que não nós e precisamente isso é que vamos oferecer aos outros. E também por que só nos conhecendo cada vez mais é que poderemos responder a primeira pergunta ‘...se isso era verdade’, se amamos de fato, ou se nos projetamos no outro.
Quando nos projetamos no outro, quando o idealizamos, é como se o proibíssemos de ser ele mesmo e o obrigássemos a desempenhar o papel que destinamos a ele. Acabamos por fazer compromissos para o outro cumprir! Criamos expectativas, e aqui está um grave problema: o amor verdadeiro não espera retorno, não nutre expectativas, se frustra cada vez menos... por que se espera algo do outro, é que o outro o possa ferir, visto que o outro é detentor de uma humanidade tão imperfeita quanto  a nossa. Por isso também ficou dito que o amor espera tudo. (cf.: 1Cor 13, 7) O verdadeiro amor quer amar! Por isso, liberta! Enquanto não atingimos esta compreensão e nos lançamos na aventura de conhecer-nos, amar-nos e doar-nos amando as pessoas, gratuitamente, não conseguiremos saborear o retorno e as recompensas que o amor dá! Não prendamos os nossos amados: amigos (as), namorados (as), irmãos (as), filhos (as), etc.. Tenhamos a capacidade de nos doar. De dar a vida.
Quando atingirmos essa maturidade de amar, poderemos ser heróicos no amor. Poderemos amar como amou o amante mais perfeito que já passou pela face da terra: Jesus, o Nazareno, o Filho do Carpinteiro. Ele amou-nos e nos ensinou a amar com a mesma maturidade. Neste estágio o mandamento é ‘...como EU vos amei’ (cf.: Jo 15, 12), agora pra finalizar a conversa, ainda que sem esgotar o assunto!



Estas considerações eu as fiz aqui como pontos de provocação para reflexão. Como ficou dito no fim do último parágrafo, estamos longe de esgotar o assunto. Seria preciso um livro para tratar de forma mais satisfatória este tema, e ainda assim estaríamos longe de fazê-lo a contento. Então para não ultrapassar muito os limites usados nos outros artigos que tenho postado, achei por bem não me estender muito, mas peço que nos comentários exponham outras coisas, outros pontos, e então a partir daí farei outros pequenos artigos. Muito grato.
Adriano Morais

terça-feira, 9 de novembro de 2010

De mundo a Mundo

Mudar o mundo...
Primeiro, o mundo que somos!
A guerra que promovemos dentro do mundo que somos (nós) para alcançar a paz é uma guerra travada com a espada do discernimento, que, golpe a golpe nos ajuda a separar o que é digno do ser humano e o que não é. Só os 'violentos', capazes de manejar essa espada nessa guerra alcançam paz, sem porém nenhum sossego, pois o mundo que é está rodeado pelo mundo em que está e agora precisa mudar também este, o que é tarefa de grandes proporções. Considerando o alto grau de dificuldade em mudar o mundo, penso ser interessante e mais acessível que se faça do seguinte um programa educacional: educar-se conhecendo, aceitando e mudando o mundo que se é, para então e simultaneamente educar conhecendo, aceitando e mudando o mundo - se é difícil o mundo inteiro, ao menos o mundo ao redor.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Merecer o Amor de Deus?

Muito se fala e se ouve sobre o amor de Deus. E, no entanto, pouco se entende de fato do que se trata, quando se fala dele.
A gente participa de encontros, ouve palestras, homilias, ou lê um artigo como esse ou um capítulo de um livro e não raro se depara com esse tema sendo tratado.
Não quero aqui deter-me em considerações sobre a natureza divina. Já muito se ouviu dizer que Deus é Amor! (1 Jo 4, 8)
Quero abordar aqui a grande dificuldade que se tem em confiar nesse amor, sendo nós como somos...
A indagação difícil de calar é: “como é que Deus pode me amar se eu sou do jeito que eu sou? Se eu faço tudo o que eu faço? Se eu peco tanto?”
Desde o “Não faça isso! Papai do céu não gosta!” de quando éramos pequeninos, fomos sendo educados para crer num Deus que nos ama se acertamos, mas se não... O que nos leva a tomar distância dele..., a nos esconder tal qual fazíamos quando sabíamos que íamos ser reprovados por nossos pais depois de aprontar alguma!
Penso que a maior dificuldade de nos entregar docilmente a esse amor deriva do fato de termos de Deus uma idéia de Ser mal-humorado que está sempre disposto a reprovar e castigar sempre que não o agradarmos com nossa conduta. Sim, Deus é justo Juiz! Contudo, é pelo mesmo fato de ser a justiça mesma que Ele sabe até das motivações que não conhecemos quando cometemos tais e tais atos. Não é incrível que quando são João fala das faltas que cometemos, ele se refira ao Deus que está pronto a perdoá-las como sendo ‘fiel e JUSTO’? (cf.: 1 Jo 1,9)
Qualquer um esperaria que o versículo mencionasse um Deus que está pronto a perdoar por que é ‘fiel e MISERICORDIOSO’!
Então, assim entendemos que nada é mais justo que a justiça de Deus, que conhece todas as coisas e é maior que o nosso coração quando ele nos condena. (cf.: 1 Jo, 3,20) Quem nos condena é o nosso coração (consciência) e não Deus! O que se diz de condenação divina só ocorre quando o nosso coração nunca nos condenou..., e vivemos como quem nunca precisou de perdão! Aí Deus nos ‘condena’ pelo puro e simples fato de que não pôde nos perdoar... por que NÓS não quisemos ser perdoados.
Não precisamos e nem podemos ter medo deste Deus! Ele é Amor! E é assim que o Amor nos ama: promovendo-nos, não nos condenando!
Agora é momento de mudar a indagação, que, esta sim, não pode calar: “Se Deus me ama tanto e até me ama como sou, por que eu faço tudo o que eu faço? Por que eu peco tanto?
É preciso estar convencidos de que não podemos merecer o amor que Deus nos tem! Mesmo por que, amor merecido não é amor, pois pra ser amor precisa ser gratuito! “Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.” (Rm 5,8)
Amor incondicional! Eu não preciso fazer coisas boas antes, pra só depois ser amado! É justamente e misericordiosamente esse Amor que me faz bom e me ensina a agir bem, claro, imitando-O! Doce e salutar conclusão:
Deus não me ama por que TUDO o que EU FAÇO é bom! Deus me ama por que TUDO o que ELE FAZ É BOM!!! (Gn 1,31)
Logicamente isso não quer dizer que devemos pecar à vontade já que Deus nos ama como somos. Mas, posto que nos ama sem merecermos, agora o que nos resta é ser-lhe gratos eternamente sabendo que nunca vamos conseguir amá-LO como Ele merece! Sim, pois se há uma pessoa que merece ser amada, é Deus!
Dúvidas, questionamentos e sugestões para um eventual próximo artigo, deixe-os aqui nos comentários.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O processo do amadurecimento

Amadurecer é difícil e um exercício que traz no seu bojo a idéia de 'processo'. Maturidade é processual: "Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança." (1Cor 13,11) Assim é o processo. A maturidade chega quando nos tornamos capazes de 'rejeitar' o próprio de criança, ou seja, a incapacidade de rejeitar conscientemente, em coerência com a verdade. Quando crianças, estamos conhecendo tudo o que está ao nosso redor e tudo nos influencia. Nos tornamos maduros quando somos capazes de perceber que se o 'tudo' está ao nosso redor é porque estamos no meio do tudo. Então já nos percebemos, já começamos a nos relacionar conscientemente, a exercer influência no 'tudo' ao redor, de propósito, sabendo que posso influir para o bem ou para o mal - distinção possibilitada pelo conhecimento da verdade. O desafio, nesse estágio, penso eu, é o de concomitantemente ser instruído e instruir-se, ser educado e educar-se. O educando precisa encarar o amadurecimento também como autoformação.
"Esforçai-vos por entrar pela porta estreita. Pois eu vos digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão." (Lc 13,24)
O homem que consegue entrar pela porta estreita da humanização é o homem maduro. Pela porta só cabe o homem humanizado, de outro modo não pode entrar por ela. É preciso adaptar-se a estreiteza da porta e isso exige esforço. Penso esse esforço com uma dimensão de docilidade e uma de desenvoltura. Docilidade aqueles que já há mais tempo se esforçam para passar pela porta (os educadores - de direito ou não). E precisamente aqui está o problema dos educadores de 'porta larga'... aqueles 'muitos que tentarão entrar e não conseguirão'... e ainda atrapalharão a muitos que precisam entrar. Desenvoltura no sentido de não se contentar com o grau atingido. "Uma coisa, porém, faço: esquecendo o que fica para trás, lanço-me para o que está à frente." (Fl 3,13) E o que está sempre a frente do educando, do maturando? A plena humanização! A estatura do Homem perfeito. (cf.: Ef 4, 13)
Considero que um dos primeiros exercícios que 'estreitam' o homem no processo de humanização (educativo/maturativo) e o leva a pensar como pessoa, é o esforço por conceber e amar a noção certa de pessoa. Pessoas que não chegaram a essa noção são e não conseguem ser o que são! "...tentarão entrar e não conseguirão."

Educar para a Liberdade

O cerne do processo educativo é a verdade. A base onde se edifica o processo é constituída por inteligência e verdade, que é seu objeto. O homem se torna livre tanto quanto conhece. Se conhece mais, é tanto mais livre. "Conhecereis a verdade e ela vos fará livres." (Jo 8, 32) O educando deve se ocupar da pergunta de Pilatos: "Que é a verdade?" (Jo 18, 38) pois o homem, para ser livre, precisa conhecê-la e testemunhá-la. Testemunhar a verdade é testemunhar a própria liberdade.: "Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade." (Jo 18, 37)
Educar conduzindo, como pensou Aristóteles, implica fazer com que o educando seja protagonista da sua educação, logo, a vontade livre do educando deve corresponder à ação consciente do educador que atentará para o fato de que o método é o caminho, não o ponto de chegada! Tem-se, de fato, adestrado muito em vez de educar. O educando (adestrando) não se torna capaz de pensar, de discernir, de avaliar, de julgar... não descobre verdadeiros valores, uma vez que a vontade só é livre se apetece o bem e só pode apetecê-lo se o conhece como tal só podendo discerni-lo do mal se for iluminada pela verdade que por sua vez só é descoberta paulatinamente no processo educativo. Daí se acharem críticos aqueles que repetem frases feitas e também aqueles que pensam que pensar e ser livre é discordar de tudo e todos, ficando escravos da dúvida. Ora, se etimologicamente ‘educar’ sugere tirar de dentro, esse tipo de processo resulta em fechar o educando em si mesmo impedindo-o até de formular questões cruciais a existência humana. Esse tipo desastroso de processo educativo (adestramento) diminui o homem, que é um não acabar de possibilidades que precisam ser atualizadas para que conquiste a sua liberdade interior, para que seja ele mesmo, pois não nasce pronto.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

O Verbo e o Sujeito

Ele é o Verbo...

Eu sou o sujeito;

Ele é Verbo transitivo, exige complemento pra dar sentido à oração...

Eu sou o complemento direto, sem preposição.

Ele faz que nossa relação seja uma Oração Coordenada Assindética pra não correr o risco de aparecerem muitos ‘porquês’..., embora seja em si mesma misteriosamente Explicativa..., e, também, claro, por que eu apenas ‘Co’... Ele é quem ‘Ordena’...

Eu, de minha parte tento fazer que nossa relação seja uma Oração Subordinada Substantiva Subjetiva por que se Ele ordena, eu me subordino; por que obedecendo-o sou substantivado, recebo um nome próprio; e isso dá sentido à minha vida de sujeito que constantemente recebe do Verbo a sua ação...

Ele é a Palavra...

Eu serei a voz.

Voz ativa no que de mim depender... Voz passiva quando tudo o que depende de mim é permitir-me depender dEle... Passivamente ativa... ativamente passiva...

Assim, eu, sujeito animado pelo Verbo me torno na vida de outros sujeitos, animados pelo mesmo Verbo que eu ou não, um bom adjetivo.

A Oração é CoOrdenada e subordinada...

Da parte do sujeito... é expositiva, completiva nominal, e, infelizmente, no mais das vezes é aditiva, adversativa e negativa.

Da parte do Verbo... é apositiva (por pura condescendência...), predicativa (quando o sujeito já se esqueceu ou não se lembra mais de quem é... ou quando por parte do sujeito a oração se torna predicativa com ênfase na mais valia ou na menos valia...)

Então... a Oração é mais CoOrdenada do que subordinada... se isso não se corrige, por mais que o Verbo queira o sujeito não pode ser feliz...

Quando há plena harmonia entre coordenação e subordinação, o sujeito é sempre feliz... não importa quanto mudem os advérbios de tempo, lugar, modo,...

Pois o Verbo é Eterno e faz que o sujeito se realize para além de qualquer advérbio, em um advérbio de eternidade!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O santo que eu quiser ser!

Deus quer que eu seja santo e quer que eu queira sê-lo.

Santidade é vontade dEle, e, não por coincidência é também anseio de todo homem,

Pois todo homem tem em si o profundo desejo de felicidade que não pode calar.

E quem diz felicidade, diz santidade! Se identificam!

Serei santo por que Ele quer, mas minha compreensão irá além...

Deus é Amor e é onisciente, sabe o que é melhor pra mim e não pode querer pra mim senão o melhor, a minha felicidade!

Serei santo por que eu quero, por que a primeira pessoa do presente do indicativo do verbo querer é Eu faço!

E se eu quero descubro que devo querer por que me foram dadas a inteligência e a consciência que me obrigam a buscar o melhor pra mim.

Se quero descubro que devo querer e que posso até querer sê-lo do jeito que eu quero, contanto que minha vontade se torne verdade.

Serei santo por que Ele quer e por que eu quero...

Ele me criou pra felicidade, quer que eu seja feliz; Eu quero ser feliz!

Eu sinto que preciso ser feliz; Ele me manda ser feliz quando diz ‘sede santo’!

Assim percebo que obedecer é saber ouvir; que é doce obedecer quando quem manda não pretende se sobrepor, mas me elevar.

Tanto que não me anula, não me santifica sem mim. Ao querer que eu queira o que Ele quer ele supõe tudo o que há em mim: caráter, temperamento, contexto (social, familiar, profissional, etc.)...

Logo, posso querer ser santo do meu jeito se isso significar ser santo sem precisar fazer coisas extraordinárias e sem perder minha identidade aperfeiçoando o meu existir.

Se ser santo do meu jeito significar fazer tudo somente pelo que vai na minha cabeça devo me lembrar de que a santidade existe antes de mim e que somente do meu jeito o que vou conseguir é antecipar e garantir o inferno.

Paradoxal responsabilidade: ser santo do meu jeito exige, por vezes, renunciar o meu jeito até mesmo pra que seja mais fiel ao meu jeito. É que Deus entende mais de mim do que eu e pode me levar a realizar em plenitude as coisas mais conforme ao meu jeito por que foi ele quem me fez, então meu jeito é mais dEle do que meu!

Terei a santa ousadia de ser santo! Por que Ele quer e por que eu quero... Serei o santo que eu quiser ser!